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Para o paciente

Orientações Fundamentais para o Tratamento Oncológico

Desafios do Tratamento Oncológico: Estratégias de Enfermagem para Aliviar Efeitos Colaterais e Melhorar a Qualidade de Vida

Alguns tipos de quimioterapia podem causar náuseas e vômitos, que podem ocorrer durante o tratamento, após ou dias depois a administração da medicação. As náuseas e vômitos leves podem ser bastante desconfortáveis, mas geralmente não causam problemas graves. Os vômitos persistentes podem levar à desidratação, desequilíbrio hidroeletrolítico, perda de peso, queda do estado geral, o que pode implicar na suspensão do tratamento.

O vômito agudo é o que ocorre nas primeiras 24h após o tratamento. O vômito tardio pode aparecer até dois ou mais dias após o tratamento.

Sempre que possível, o ideal é prevenir as náuseas e os vômitos. Existem muitos medicamentos disponíveis para ajudar a reduzir ou parar o vômito, como por exemplo, os antieméticos, que podem ser prescritos antes do início do tratamento. Alguns tratamentos comportamentais, como relaxamento e mentalização, podem ajudar no controle das náuseas e vômitos.

 DICAS

• Uma maneira de evitar os vômitos é evitando as náuseas. Para isso recomenda-se o consumo de alimentos e bebidas de fácil digestão.

• Planeje sua alimentação. Algumas pessoas se sentem melhor quando comem antes da quimioterapia, outras preferem não comer nada. Isso é muito variável, entretanto deve-se aguardar pelo menos uma hora após a quimioterapia para poder ingerir algum tipo de alimento ou bebida.

• Faça pequenas refeições, de preferência de 5 a 6 por dia. Não ingira muito líquido antes, nem durante as refeições e não deite imediatamente após a refeição.

• Consuma alimentos e bebidas mornos e frescos, aguarde que os alimentos e bebidas quentes se esfriem e evite bebidas gasosas.

• Evite alimentos e bebidas fortes como café, peixe, cebola, alho ou alimentos muito quentes, pois isso pode desencadear náuseas e, por conseguinte, vômitos.

• Antes do início da quimioterapia é bom relaxar. Procure praticar atividades de que goste, por exemplo, meditar, ler um livro ou escutar música. Isto fará que você sinta menos náuseas.

• Avalie com o médico os medicamentos antieméticos, verifique se eles estão fazendo efeito ou não. Comunique ao médico se sentiu náuseas e vômitos e por quanto tempo, mencionando se vomitou logo após comer algum alimento, tomar alguma bebida ou se foi quando tomou algum medicamento.

Diarréia é a eliminação frequente das fezes, que podem ter características semi-sólidas ou líquidas. A quimioterapia e a radioterapia da região pélvica podem provocar diarréia por atuar sobre as células sadias que recobrem internamente o intestino delgado e o intestino grosso, fazendo com que a eliminação das fezes seja mais rápida. A diarréia também pode ser causada por reação do antígeno contra o hospedeiro em pessoas que receberam um transplante de medula óssea.

Prevenir ou tratar a diarréia precocemente evita a desidratação e o desenvolvimento de outros problemas. As sugestões a seguir podem ajudar a gerenciar a diarréia em suas fases iniciais:

・Evite cafeína, álcool, laticínios, gorduras, fibras, suco de laranja, suco de ameixa e alimentos picantes.

・Suspenda o uso de laxantes.

・Faça refeições pequenas e frequentes, dando preferência a alimentos obstipantes, como batata, maçã e goiaba.

・Beba muita água e outros líquidos para evitar a desidratação.

・Converse com o médico sobre possíveis alterações na programação das sessões de quimioterapia (ou nas dose dos quimioterápicos), se a diarréia for causada pela quimioterapia e for grave.

・Consulte o médico sobre medicamentos antidiarréicos.

Alterações no apetite são comuns em pessoas com câncer ou em tratamento da doença. Pessoas com falta de apetite ou perda de apetite podem comer menos que o habitual, não sentirem fome ou se sentirem saciadas após comer apenas uma pequena quantidade. A perda de apetite progressiva pode levar à perda de peso, desnutrição e perda da massa muscular.

Certos tipos de câncer, como de ovário, pâncreas e estômago, podem causar perda de apetite com grande frequência, porque afetam o metabolismo. A perda de peso relacionada ao câncer pode ser grave porque a pessoa também perde massa muscular. A perda de apetite também ocorre em 80% a 90% das pessoas com câncer avançado. As razões para a perda de apetite incluem: alterações no metabolismo, saciedade precoce, outros sintomas de câncer (como dor, quimioterapia, imunoterapia e sedativos). Além disso, o tratamento radioterápico ou cirúrgico dos órgãos gastrintestinais, como estômago ou intestino, também podem causar perda de apetite.

O primeiro passo no tratamento da perda de apetite é tratar a causa subjacente. O tratamento de feridas na boca, boca seca, dor ou depressão ajudam a melhorar o apetite. O tratamento adicional para perda de apetite associada à perda de peso pode incluir medicamentos estimulantes do apetite, suplementos nutricionais e alimentação por sonda. Embora você possa não sentir vontade de comer, é importante lembrar que uma alimentação adequada e a manutenção do peso saudável são fundamentais para sua recuperação. Comer bem ajuda a lidar melhor, física e emocionalmente, com os efeitos colaterais do tratamento.

DICAS

・Faça de cinco a seis pequenas refeições por dia.

・Se houver momentos do dia em que a apetite é maior, aproveite para alimentar-se, sem restrições.

・Consuma petiscos nutricionais, ricos em calorias e proteínas.

・Mantenha os alimentos preferidos à mão para beliscar.

・Introduza calorias e proteínas aos alimentos adicionando molhos, manteiga, queijo, pasta de amendoim, creme e nozes.

・Beba líquidos entre as refeições e não durante as refeições.

・Escolha bebidas nutritivas, como milk-shakes e vitaminas de frutas.

・Peça aos familiares e amigos para preparar seus alimentos quando estiver cansado.

・Procure fazer suas refeições em ambientes agradáveis e em companhia dos familiares ou amigos.

・Coma alimentos frios ou em temperatura ambiente para diminuir o odor e reduzir o paladar.

・Se houver perda de paladar, adicione temperos e condimentos aos alimentos para torná-los mais atrativos.

・Pergunte ao médico como aliviar os sintomas gastrointestinais, como náuseas, vômitos e constipação.

・Faça exercícios leves, como caminhadas curtas, cerca de uma hora antes das refeições para estimular o apetite.

Prisão de ventre e intestino preso são os nomes populares pelos quais é conhecida a constipação (ou obstipação) intestinal, um distúrbio comum caracterizado pela dificuldade persistente para evacuar. Constipação é um sintoma muito comum em pessoas com câncer.

Pessoas com prisão de ventre podem apresentar sintomas como dor, inchaço no abdome, perda de apetite, náuseas e vômitos, incapacidade de urinar ou confusão mental.

Entre as causas de prisão de ventre destacamos:

• Medicamentos, incluindo: antiácidos; alguns medicamentos para tratar náuseas e vômitos, convulsões, depressão, diarréia ou pressão arterial; suplementos de ferro; quimioterápicos; e, medicamentos para a dor.

• Alimentação deficiente.

• Obstrução intestinal.

• Desidratação.

• Falta de movimentação.

• Compressão tumoral.

• Nível elevado de cálcio no sangue.

• Nível baixo de potássio.

• Diabetes.

O não tratamento da prisão de ventre pode causar danos internos ao intestino ou do reto, desidratação ou obstrução intestinal. Pode ocorrer também a diminuição da absorção de medicamentos tomados por via oral. Sugestões para ajudar a controlar a constipação:

• Beber mais líquidos.

• Tomar laxantes.

• Sob supervisão médica, alterar a dose ou suspender o uso de medicamentos que causam a constipação.

• Aumentar o consumo de fibras.

• Praticar exercícios físicos.

• Usar supositório.

A mucosite é a inflamação da parte interna da boca e da garganta, podendo levar a úlceras dolorosas e feridas nessas regiões. Ocorre em até 40% das pessoas que recebem quimioterapia.

Causas:

 • Alguns tipos de quimioterapia.

• Queda do sistema imunológico, pela quimioterapia.

• Radioterapia da região da cabeça e pescoço.

• Transplante de medula óssea.

A melhor maneira de manejar a mucosite é evitar que ela inicie ou tratá-la precocemente. A crioterapia oral, que consiste na sucção de lascas de gelo antes e durante cada quimioterapia, pode reduzir a ocorrência da mucosite. O tratamento da mucosite é feito com anestésicos locais ou analgésicos.

Recomendações a serem seguidas durante o tratamento do câncer:

• Escovar os dentes com pasta contendo flúor.

• Passar fio dental suavemente.

• Fazer gargarejos com bicarbonato de sódio.

• Remover a dentadura.

• Escolher alimentos que exijam pouca ou nenhuma mastigação.

• Evitar alimentos ácidos, picantes, salgados e secos.

As pessoas em tratamento radioterápico na região da cabeça e pescoço devem consultar um dentista antes do início do tratamento para saber como preservar os dentes e prevenir a infecção.

O síndrome mão-pé é um efeito colateral de alguns tipos de quimioterapia, que provoca vermelhidão, inchaço e dor nas palmas das mãos e/ou nas plantas dos pés. Embora menos comum, o síndrome mão-pé também pode ocorrer em outras áreas, como joelhos e cotovelos.

O síndrome mão-pé moderado pode apresentar sintomas como vermelhidão, inchaço e sensação de formigamento ou queimação.

Os sintomas graves do síndrome mão-pé incluem rachaduras ou descamação da pele, bolhas, úlceras ou feridas na pele, dor intensa, dificuldade para andar ou para usar as mãos e até infecções locais.

Se você desenvolver um síndrome grave de mão-pé, o médico pode reduzir a dose da quimioterapia ou alterar o seu esquema de tratamento. Se necessário, o médico interromperá temporariamente a quimioterapia até a melhora dos sintomas.

A prevenção dos sintomas se concentra em evitar fricção e o calor, que tornam os sintomas piores. As recomendações para o controle dos sintomas e prevenção do síndrome mão-pé incluem:

• Limitar a exposição das mãos e dos pés à água quente aos lavar pratos ou tomar banho.

• Tomar banhos frios ou mornos.

• Evitar a exposição às fontes de calor, como saunas e sol.

• Evitar atividades que causam força desnecessária ou fricção nos pés, como corrida, ginástica aeróbica e caminhadas longas.

• Evitar contato com produtos químicos utilizados em detergentes ou produtos de limpeza doméstica.

• Evitar o uso de luvas de borracha para limpeza com água quente.

• Evitar o uso de ferramentas ou utensílios domésticos que exigem pressão da mão contra uma superfície dura e áspera, como ferramentas de jardim, facas ou chaves de fenda.

DICAS

• Refrescar as mãos e pés com compressas frias ou de gelo por 20 minutos.

• Elevar as mãos e pés quando estiver sentado ou deitado.

• Secar cuidadosamente a pele após o banho.

• Aplicar suavemente cremes para manter as mãos úmidas.

• Evitar esfregar ou massagear as mãos e pés.

• Usar sapatos e roupas confortáveis e soltos.

A neuropatia periférica induzida pela quimioterapia começa geralmente nas mãos e nos pés, e sobe gradualmente pelos braços e pernas. Às vezes pode-se sentir formigamento ou dormência, outras vezes, é como uma pontada ou uma ardência ou ainda aumento da sensibilidade à temperatura. Pode ocorrer dor intensa que pode dificultar a realização de tarefas rotineiras, como abotoar a camisa, contar moedas ou caminhar. Cerca de 30 a 40% dos pacientes com câncer submetidos à quimioterapia experimentam algum desses sintomas.

A neuropatia periférica induzida pela quimioterapia (NPIQ) é um dos motivos mais comuns para o abandono do tratamento pelos pacientes com câncer. Para algumas pessoas, os sintomas podem ser atenuados ao diminuir a dose de quimioterapia ou suspender temporariamente a mesma, reduzindo assim a dor. Para outros pacientes, os sintomas permanecem por meses, anos ou mesmo indefinidamente após a quimioterapia.

Os sintomas da NPIQ são geralmente tratados de forma similar a outros tipos de nevralgia, ou seja, uma combinação de fisioterapia, terapias complementares, como massagem e acupuntura, e medicamentos que podem incluir esteróides, antidepressivos, antiepiléticos e opióides para controlar a dor severa. Seu médico poderá orientá-lo quanto à melhor estratégia de tratamento no seu caso.

Os medicamentos antineoplásicos mais frequentemente associados à NPIQ são compostos de platina (cisplatina, carboplatina, oxaliplatina), vincristina, taxanos (docetaxel, paclitaxel), epotilonas, bortezomib, talidomida e lenalidomida.

Neutropenia é o nível muito baixo dos neutrófilos, um tipo de glóbulo branco localizado no nosso sangue que ajuda no combate das infecções, destruindo bactérias e fungos. Pacientes com neutropenia têm um risco aumentado de desenvolver infecções graves. A neutropenia ocorre em cerca da metade dos pacientes em quimioterapia e é comum em pacientes com leucemia.

O tratamento do câncer pode causar neutropenia de várias maneiras:

• Alguns tipos de quimioterapia podem afetar a medula óssea, que deixa de produzir os elementos do sangue, reduzindo a produção de neutrófilos.

• Cânceres que afetam diretamente a medula óssea, incluindo leucemia, linfoma e mieloma, ou metástases.

• Radioterapia, especialmente dos ossos, pelve, pernas, tórax ou abdome.

 Pacientes com câncer, maiores de 70 anos ou com sistema imunológico debilitado tem maior risco de apresentar neutropenia. Pacientes com neutropenia grave ou de longa duração são os mais propensos a desenvolver uma infecção.

A neutropenia em si não causa nenhum sintoma. Os pacientes geralmente descobrem que têm neutropenia pelo exame de sangue ou quando uma infecção se desenvolve. Como a neutropenia é um efeito colateral comum de alguns tipos de quimioterapia, o médico solicita exames de sangue regulares, normalmente um hemograma completo.

Para pacientes com neutropenia, até uma pequena infecção pode rapidamente se tornar grave. Converse com o médico se apresentar qualquer sinal de infecção como:

 • Febre

• Arrepios ou transpiração

• Dor de garganta ou úlceras na boca

• Dor abdominal

• Diarréia

• Feridas ao redor do ânus

• Dor ou ardor ao urinar

• Tosse ou dificuldade respiratória

• Vermelhidão, inchaço ou dor, especialmente em torno de um corte, ferida, ou do cateter

• Corrimento anormal ou coceira vaginal

 Dependendo do tipo ou dose da quimioterapia, a contagem de neutrófilos geralmente começa a cair entre 3 a 7 dias após cada ciclo e, geralmente, chega ao valor mais baixo cerca de 7 a 14 dias após o tratamento. Esse é o momento que o paciente está mais vulnerável à infecção. Em seguida, o número de neutrófilos volta a elevar-se, porém, pode levar de três a quatro semanas para chegar a um nível satisfatório. Quando o nível de neutrófilos volta ao normal, mais um ciclo de quimioterapia é iniciado. Se o paciente desenvolve neutropenia ou o nível de neutrófilos não retornar ao normal rapidamente, o novo ciclo de quimioterapia pode ser postergado ou recomeçar com uma dose menor. Às vezes, o médico recomenda o uso de antibióticos durante os períodos de neutropenia prolongada para tentar impedir a ocorrência de infecções, ou o uso de medicamentos capazes de estimular a produção dos neutrófilos pela medula óssea.